CONTA CORRENTE

Je t’aime totalement, tendrement, tragiquement.

chagalov:

Jacques Prévert and Pablo Picasso, 1951 -by Boris Lipnitzki (Roger Violet)
via ader

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Jacques Prévert and Pablo Picasso, 1951 -by Boris Lipnitzki (Roger Violet)

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Juquinha (Le cancre) - Jacques Prévet

Diz não com a cabeça
diz sim com o coração
diz sim ao que ama
diz não ao professor
está de pé
sendo arguido
e todas as perguntas lhe são feitas
de repente morre de rir
e apaga tudo
os números e as palavras
as datas e os nomes
as frases e as armadilhas
e apesar das ameaças do professor
debaixo da vaia dos meninos prodígios
no quadro-negro da desgraça
com giz de todas as cores
desenha o rosto da felicidade.

(Trad. Silviano Santiago)

The Walkmen, “Line by line”.

be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
Trecho de “The Laughing Heart”, Charles Bukowski.
Ira de Rá no bar Jeca Total - 31 de outubro de 2012.

Ira de Rá no bar Jeca Total - 31 de outubro de 2012.

Canção como produto cultural

Tem um amigo meu que sustenta a opinião de que o valor de uma canção está em sua capacidade de inserção na cultura popular. Segundo ele, quanto mais enraizada e até mesmo “anônima” a canção for, tanto melhor. Eu, no entanto, não concordo com esse ponto de vista. Não acredito que a popularidade seja a melhor medida para se julgar as possíveis qualidades de uma canção ou mesmo seus defeitos. Aliás, o fenômeno da popularidade é algo que eu julgo controverso e sobre o qual ainda não cheguei a nenhuma conclusão que me agradasse, de modo que, ao conversar sobre o assunto, a única contribuição que eu tenho a dar é esta: que a popularidade é um fenômeno em si que não agrega necessariamente valor qualitativo.

Mas voltando à afirmativa do meu amigo, umas das conclusões que eu posso tirar dela, e sobre a qual acho que reside a fragilidade da sua opinião, é que ele mantém um pensamento pré-capitalista sobre a canção. Por que pré-capitalista? Porque ele ainda pensa a canção contemporânea como fenômeno cultural e não como produto cultural. Creio que esta distinção entre fenômeno cultural e produção cultural seja clara: ao passo que no fenômeno se agrega as expressões culturais anônimas e conjuntas de um povo (por exemplo, o samba-de-roda do recôncavo baiano), o produto cultural nasce sob a égide de um indivíduo que, embora manipule este material cultural anônimo e comum, tira dele sua expressão particular e sobretudo o comercializa como seu. Aliás, tenho pra mim que a canção como a conhecemos só começou a existir quando virou produto cultural.

Caetano Veloso, em um trecho do programa Samba na Gamboa (este: www.youtube.com/watch?v=s6kIFbmMDww), fala exatamente sobre esta distinção entre fenômeno ou expressão cultural e produto cultural ao explicar ao entrevistador como compôs sua primeira música gravada (“É de manhã”, de 1963). É uma fala curiosa porque retrata exatamente a transição entre o estágio pré-canção para o que hoje entendemos como canção autoral. Ele termina o trecho do vídeo dizendo que mesmo sendo “outra coisa”, a sua canção e a cantiga popular são “a mesma coisa”. Eu diria que mesmo vindo da “mesma coisa”, “É de manhã” e a cantiga popular não são a mesma “coisa” e não podem ser medidas sob o mesmo parâmetro.

aureastenebrae:

«Esteja escrevendo versos ou esteja ilustrando peças literárias (sobretudo poesia), o português Luis Manuel Gaspar não pode ser chamado de outra forma: a rigor, ele é um poeta.
[…] Por poeta, por favor, percebam o homem que em tudo o que produz parte de um princípio poético, onde o belo e o transcendental estão em comunhão, e onde há algo de mágico e imemorial. Algo raro, é verdade, mas talvez por isso mesmo de especial textura e brilho.»
Ederval Fernandes, OBVIOUS, ‘Artes e Ideias’, Julho 2011.

Lendo o poema “Café do Molhe”, do português António Manuel Pina.

10 reproduções

Paulo Autran lendo “Profundamente”, de Manuel Bandeira.